Quando fiz o Audax em Abril, uma chuva no meio da tarde ajudou a refrescar o ambiente.
Neste Audax, não houve chuva senão até a Noite, quando já tinha terminado o percurso.
Nos primeiros 50 km consegui manter uma boa velocidade, estava meio nublado, e com as pernas inteiras. Mas estava sem água, apenas algum suco de laranja que peguei no hotel.
Ao chegar ao primeiro Checkpoint, abasteci as caramanholas, 1 litro de água e 700 ml de isotônico. Apliquei também bastante protetor solar. Aproveitando a parada, bebi uns 2 copos grandes de isotônico e comi uma banana.
Nos seguintes 50km, o sol apareceu, com tudo. Bebia mais isotônico (morno), pois a agua (morna) usava para molhar a roupa.
Ao completar o km 80, parei num posto de combustível abandonado, tinha acabado a agua, e o sol continuava implacável.
Enchi as garrafas com agua de torneira, já nao para beber, mas para continuar molhando o corpo.
Comecei a consumir barras e gel energetico, mas nesse calor o rendimento da pedalada caiu bastante.
Chegando ao segundo checkpoint, aos 100km, abasteci totalmente as garrafas, de novo, molhei a roupa e comi umas 5 bananas e uma maçã. Não enrolei muito e saí para mais um trecho de 50km.
O sol se manifestou ainda mais potente. Um dos participantes, com termômetro no relógio de pulso avisava que a temperatura nesse sol, no asfalto quente, era de 44 graus (porque a temperatura medida pela meteorologia é à sombra).
O pior veio do km 130 ao 140.
Subidas quilometricas. Avançando lentamente, já sem a brisa da velocidade batendo no rosto.
A água não durava nada. Parava em postos para pegar mais.
Parava à sombra de viadutos para tentar refrescar e consumir mais gel e barrinhas. Nessa altura da situação, já não conseguia comer pedalando.
Pouco antes do Checkpoint 3, algumas descidas deram um novo animo.
Molhado, abastecido, e animado, deixei o checkpoint, mas desta vez sem força física. Com constancia conseguia vencer as ladeiras, e descansava, já sem pedalar, nas descidas.
O sol começou a cair e as sombras dos eucaliptos à beira da estrada começaram a ajudar.
O canto do cisne, o último gás para terminar a prova. Descidas compridas onde atingia velocidade, sem pedalar muito.
Mas na sujeira do acostamento, muitas pedras, que pulavam violentamente ao ser atropeladas a 50 por hora. Uma delas furou minha camara dianteira aos 195km.
Troquei rapidamente, só para perceber que a minha nova camara veio rasgada no pacote.
Tirei, coloquei uma nova e o bico dela estava torto, nao segurava o ar.
Não tirei, mesmo tendo mais uma camara.Desentortei manualmente e dei um jeito de colocar alguma pressão com a bomba manual.
Com o pneu 80% cheio, continuei, com muito cuidado por mais 11km até a chegada, no km 206.
Após uma longa pausa, fui à rua turística de Holambra, comer um cachorro quente holandes, o Didan, e mais uma espécie de torta de amoras, o Vlaai.
A melhor refeição desde o último Audax.
Sensacional, XPK, inspirador. Minha única aventura do gênero foi naquele dia do Rodoanel, quando a gente se conheceu. Vontade de arriscar Campos só pelo barato de ler seu relato. Superação, parabéns! Abraço, Santini
Comentário por Daniel Santini — 06/12/2010 @ 10:07