XpK

10/08/2010

Tales sunt aquae qualis est terra per quam fluunt

Filed under: Planeta — XpK @ 00:10

De fato, é uma sorte contarmos com os recursos naturais que temos disposição hoje.

É uma hipocrisia reclamar de falta disso, ou falta daquilo quando as nossas últimas três gerações (incluindo nós mesmos) destruimos tão eficiente e indiscriminadamente tudo que haviamos recebido de legado do passado.

No dia dos pais, peguei a bicicleta e levei o meu filho, que ainda não tem 3 anos, a subir pela Avenida Nova Cantareira, uma via que tem sua origem e razão de ser íntimamente ligada aos mananciais na região norte de São Paulo.

Passando pelo que um dia foi uma fonte de àgua, no meio de ruinas e entulho, um retrato do que meu filho recebe de presente da minha geração…

"Tales sunt aquae qualis est terra per quam fluunt""A água é tal qual a terra por onde ela corre." - Plínio, o velho.

Na hora lembrei da outra “Fonte São Pedro” que existe aos fundos do Supermercado Sonda da Rua Maria Amália…

Paramos num mercadinho que tinha uma fonte, uma pequena correnteza do lado… fomos todos felizes para ver a água e puf, impregnou aquele mal cheiro. Mais um riozinho usado como esgoto, cheio de lixo lá embaixo… ah, que raiva do homem!!!” – Zuccherato
http://pedaldriven.wordpress.com/2008/07/10/pedal-do-feriado-horto-florestal/

A fonte (ou esgoto) de São Pedro - Foto: Zuccherato

Devo ser louco, pois vejo nessas imagens a carcaça de um corpo decadente que chamamos de cidade. Louco porque com meu trabalho de formiga tento apagar um incêndio com conta-gotas.  Porque me preocupo com o que meu filho terá que viver.

Então me deixem ser louco. Normais, são os outros.

Pouco restou para passar adiante.

Ah, Feliz Dia dos Pais para você também.
E espero que saiba muito bem o que significa ser Pai.

06/08/2010

… a Danicleta.

Filed under: Planeta — XpK @ 19:48

No Domingo passado, o Gabriel estava ruimzinho de febre, e eu estava fazendo ele dormir uma soneca, quando a Dani precisou comprar algumas coisas rápidas no supermercado e resolveu ir sozinha comprar de bicicleta (ela sempre saia só acompanhada conosco e principalmente para passear).

Algumas compras

Como eu bem sei, utilizar a bicicleta no cotidiano dá uma sensação de liberdade e amplia nossos limites.

Na segunda-feira, a Dani decidiu então continuar usando a bicicleta, para ir à escola do Gabriel, à farmácia, ao banco.

... indo e vindo...

E o eventual virou cotidiano. Esta semana a bicicleta da Dani não tem mais parado quieta no gancho na parede. Aliás, já fica de prontidão, junto da porta.

Frio ou leve garoa não impediram à Dani de continuar, afinal como ela mesmo disse, pedalando esquenta de uma forma que se tivesse ficada parada em casa, ia passar frio.

Compartimento de carga da Danicleta

Eis que um frio e imóvel chassi ganha vida, calor e movimento, tornando-se uma extensão do corpo… a Danicleta.

Carpe Diem

"Ut melius, quidquid erit pati,
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero."
"Quão melhor é viver aquilo que será,
sejam muitos os invernos que Júpiter te atribuiu,
ou seja o último este, que contra a rocha extenua
o Tirreno: sê sábia, filtra o vinho e encurta a esperança,
pois a vida é breve. Enquanto falamos, terá fugido
ávido o tempo: Colhe o instante, sem confiar no amanhã"

Turbinando o Gabito

Filed under: Sem categoria — XpK @ 19:46

Últimamente só tenho conseguido postar quando estou de licença, mas tudo bem.

Desta vez quero ilustrar as modificações e personalizações aplicadas nos velocípedes do Gabito.

Meio que acreditamos que as crianças brincam com qualquer coisa, mas não é bem assim. Se queremos que a brincadeira seja agradável e periódica, o brinquedo precisa estar bem ajustado e, principalmente, funcionar bem. Ainda mais quando o brinquedo é realmente um meio de transporte.

Vamos começando pelo triciclo:

Tico-Tico Genêrico

Gabriel usava muito ele no verão, época em que ele apenas anda descalço, então foi necessário forrar os pedais com pedaços de câmara MTB.

Pedais cobertos por recorte de câmara de ar

Por outro lado, a roda motriz, feita de PVC, não dava tração suficiente no piso frio, desestimulando o pedalar em favor do ‘empurrar-se com as pernas’. A roda então foi coberta com uma fita feira com recorte de câmara MTB, emendada com um ‘manchão’ consistente de dois grandes remendos, um por dentro e um por fora, assegurando a união dos pedaços. Esta coberta de borracha foi realizada fora da rosa, e uma vez seco o manchão, foi retirada a roda do triciclo (é fixa a pressão) e abraçada com a fitona.

Detalhe do manchão unificador.

Detalhe do manchão unificador.

Como não podia deixar de ser, a bicicleta do Gabriel também passou por modificações.

Por comodidade ou brincadeira, nem sempre ele segura nas manoplas de borracha, então aproveitei uma fita velha de speed, daquelas duras mesmo, e fitei o gidão completo, até a mesa, que neste caso são uma peça só.

Gabriel e seu Guidão fitado.

Gabriel e seu Guidão fitado.

Nos pedais recebeu o mesmo tratamento do triciclo, adicionados recentemente de um “firma-pé”, pois o Gabriel não estava fazendo a volta completa do pedal (a bicicleta não é roda fixa, então ele consegue voltar a pedalada e apoiar de novo o mesmo pé). Com ele, a posição do pé no pedal é garantida. Obviamente a utilização do firma-pé só é possível com um adulto do lado.

Firma-pé

Novamente problemas com a tração tanto no piso frio quanto no pedregulho fino da garagem, a roda traseira recebeu um espiral de borracha, feito com sobras de uma câmara de speed.

Tração incrementada

Dada a receita, espero que seja de utilidade para tirar as crianças daquelas motinhos e carrinhos a bateria.

Mais amor e menos motor. Isso vale para os pais também!

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