XpK

20/09/2011

Insisto em tentar respirar

Filed under: Sem categoria — XpK @ 16:20

O inverno de 2011 em São Paulo foi seco e poluído, como quase sempre.
Na televisão, aquele dogma da toalha molhada como única redenção da sociedade petrodependente.

Continuei coma minha rotina de pedalar do Jardim Tremembé à Paulista, mas coriza, tosse e até olhos avermelhados se fizeram cada vez mais comuns, prolongados, quase crônicos.

Numa visita ao médico e algus exames, o que eu suspeitava, tratava-se de uma reação alérgica ao ar poluido.

Não somo apenas os ciclistas que estamos expostos aos gases e partículas nocivas que compõem a poluição em São Paulo.

Ciclistas ‘escoamos’ rápido pelos engarrafamentos.

Motoristas ficam, presos às suas usininhas quase imóveis que geram calor e liberam poluentes.
Pedestres ficam, nos pontos, aguardando a condução, que está presa no mar de carros.
Passageiros ficam, dentro do ônibus atolado no engarrafamento.

No céu, ora o sol alaranjado, ora a lua avermelhada, abrem-se caminho no meio de hidrocarbonetos, óxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, aldeídos e muito, mas muito material particulado.

Otras invernos já tinha tentado driblar esta situação com respiradores descartáveis, que por sinal ficavam da cor cinza após 1 ou 2 semanas de uso, mas nestes respiradores, o próprio material é o filtro, que ao reter a umidade da respiração, fica pouco permeável ao ar, obrigando a remové-la bem no momento que a respiração fica mais profunda.

Alérgico e sem muita opção, resolvi investir melhor na minha saúde e optar por um respirador não descartável.

A rua Florêncio de Abreu, próxima à Igreja de São Bento, sempre foi a minha fornecedora de EPI (equipamentos de proteção individual), seja para os óculos que uso para pedalar (na verdade para esmeril), seja para o ‘X’ reflexivo para pedalar de noite no Audax, e foi lá que fui procurar meu respirador.

Descrevendo ao balconista a necessidade de respirar próximo a escapamentos extremamente mal regulados (vide nuvens pretas de veículos mudando de marcha para subir a ponte Cruzeiro do Sul), o atendente me recomendou a máscara 3M 6200 (uns R$ 40), acompanhada de um par de filtros 3M 6003 NIOSH (uns R$ 55), as ‘bulas’ destes produtos são imensas.

respirador

Call me Scorpion. Foto: Daniel Santini - OutrasVias

A durabilidade dos filtros é variável, depende do volume de ar respirado, e a proporção de poluentes. Pela indicação, a forma de saber que o filtro parou de funcionar é porque ele deixará entrar cheiros. Filtro bom é ar inodoro.

O filtro 6003 é indicado para Vapores Orgânicos, Dióxido de Enxofre, Ácido Clorídrico, Cloro, Ácido Fluorídrico e Gás Sulfídrico (para fuga).Um filtro não fornece oxigênio, portanto é bom que a nossa atmosfera mantenha uma concentração de O2 de no mínimo 19,5%, para evitar asfixia.

Minha primeira pedalada com este respirador foi similar a estar num ambiente barulhento, e passar ao silêncio. O Ar, sem qualquer cheiro, passava livremente pelo par de válvulas de entrada, sendo expelido pela válvula central de saída.

Tratando-se de 2 válvulas de entrada, mesmo com esforço físico, o ar não faltou. Houve retenção de umidade nas paredes da máscara, mas não comprometem o filtro, protegido pela válvula. Parte desta umidade escoa em forma de líquido pela válvula de saída (gostaria que estivesse mais baixa).

Poder pegar a subida de uma ponte, no meio dos motores Diesel, respirando profundamente, não tem preço.

Após o uso, acostumei a colocar algum papel absorvente (guardanapo, papel toalha) dentro da máscara para recolher a umidade acumulada.

No final, o saldo foi extremamente positivo, a máscara é confortável, funciona bem, não tenho mais congestão nasal nem tosse, e tive que abrir mão de todos os aromas de flores e plantas no meu caminho, do cheiro de cominho da cerealista. E ainda por cima ninguém precisa parar de poluir, não é fantástico?

Estou apenas sendo precursor da moda Inverno 2012?

Mais informações dobre como escolher um respirador em:
http://www.segurancanotrabalho.eng.br/download/guia3m.pdf

Não entendi nada e preferi perguntar ao balconista.

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